sexta-feira, março 31, 2006

 

Lucimara Andréia Moreira Raddatz

Lucimara Andréia Moreira Raddatz – Lucinha -
Mimos com limites
Sua infância foi tranqüila. Aos 13 anos foi surpreendida com a perda repentina da mãe. Sorte foi ter um pai, um irmão e um tio maravilhoso, diz. “Família, de uma forma geral, é o porto seguro que nunca falha” conforta-se. Os amigos também tiveram muita importância na vida dessa bageense, pois a “adotaram”, se tornando filha um pouco de cada um.
Em 1999, se formou em Direito pela URCAMP, em julho de 2000, corta o cordão umbilical e muda-se para Porto Alegre, pela primeira vez saía de casa. Na capital, cursou especialização em Direito Civil e Direito Processual Civil. Mas foi em Bagé, através do convite da Ana Carina Mendes Souto, que surgiu a possibilidade de residir no Estado do Tocantins.
Em fevereiro de 2002, pediu dispensa no seu trabalho em Porto Alegre, na época trabalhava na FESISMERS e foi para Palmas.
Lá começou a trabalhar num escritório de advocacia que representa a Brasil Telecom no Estado. Viajou muito, conheceu o estado quase todo fazendo audiências.
Apesar do calor e da alimentação muito diversificada, Lucimara diz estar completamente adaptada aos novos costumes. Palmas era uma fazenda, foi uma cidade literalmente construída, então tem influências muito variadas, pessoas de todas as culturas e costumes. Existem muitas frutas diferentes, tipo açaí, cupuaçu, bambu, tamarindo, graviola, cajá... mas, sente saudades do pêssego, do morango, da laranja...
Levada pela possibilidade de obter uma ascensão profissional mais rápida, já que na área que atua, o mercado em Bagé encontra-se saturado, o reconhecimento do seu trabalho foi umas das coisas mais decisivas para permanecer longe dos amigos e da família.
Em Tocantins as pessoas são muito receptivas, muitos gaúchos residem no estado e geralmente são unidos, inclusive tem CTG. A cidade é bonita, limpa e bem cuidada.
Quatro meses depois de ter chegado, foi chamada na Defensoria Pública para trabalhar na Assessoria da Diretoria, ficou no cargo até dezembro de 2003 quando foi transferida para Guaraí, onde ficou responsável administrativa pela Defensoria daquela Comarca e lecionava na Faculdade – FAG.
Recentemente, foi aprovada no concurso de Analista Técnica Jurídica do Estado, chamada para assumir no dia 14 de novembro, voltando para Palmas.
A saudade da família e dos amigos é muito grande, saudades também de tomar vinho no frio, preparando jantar e jogando carta, de usar cachecol e botas com meias grossas, das idas e vindas na Av. Sete, de tomar chimarrão domingo, das festas que são inigualáveis, das pessoas que são muito bonitas de modo geral. “ Mas, como saudade só temos do que é bom, fico feliz por ter essa mala de boas recordações da terrinha” finaliza Lucinha.

 

Roseli Martins dos Santos

Rosele Martins dos Santos
Orgulho da terra nata

lCom entusiasmo e alegria, nossa conterrânea que está morando a um ano em Londres relembra
um pouco da sua história, a época que morou perto do estádio Pedra Moura a mudança para a José
Otávio. “Foram tempos ótimos”explica com bastante emoção. Estudava no Auxiliadora, tinha muitos amigos na vizinhança. Brincava muito na casa dos avós maternos, Branca Celeste e Vilmarino Martins, que moram até hoje na Barão do Itaqui, em
frente a rodoviária. Quando pequena, andava de bicicleta por aquelas ruas ali perto, comprava
revistinhas no Gigio, se divertia vendo as partidas e chegadas dos ônibus . Em junho de 1986, mudou-se com os pais para Porto Alegre, na busca de melhoras nos negócios
da família, o pai é comerciante e as coisas começaram a ficar difíceis.Trocou de cidade, de colégio ... Não foi uma mudança fácil. Sentia falta da liberdade de andarnas ruas de Bagé, dos colegas, dos amigos. Mas aos poucos apaixonou-se por Porto Alegre. Hoje,
é fã incondicional da nossa Capital.Em 1993 concluiu o segundo grau e logo em seguida foi aprovada no vestibular para Jornalismo.
Formada pela PUCRS, em 1997 foi selecionada para o XV Curso Abril de Jornalismo em
Revistas, da Editora Abril, ficou dois meses em São Paulo. De volta para
Porto Alegre, trabalhou dois anos como correspondente do grupo no Rio Grande do Sul.Assinou reportagens para diversas revistas da empresa, como Veja, Casa Cláudia,
Arquitetura & Construção e Boa Forma. Em julho de 2000, recebeu uma proposta detrabalho do jornal Zero Hora e tornou-se editora assistente do Caderno Casa&Cia, que circula
todas as terças-feiras.Depois de quase cinco anos trabalhando na Zero Hora, resolveu passar um tempo fora do país.
Pediu licença do jornal, foi para Londres em abril de 2005. O inglês agora esta afiado -ganhou certificado em nível de proficiência - e o passaporte tem novos carimbos. Além da
Inglaterra, Irlanda, Itália e Franca, que já conhecia, esteve na Espanha, na Escócia, no País de
Gales, na Holanda e em Portugal. “Uma experiência única, inigualável” completa ela, satisfeita.
Mais difícil do que ficar quase um ano longe do jornalismo - apesar de ter enviado algumas
reportagens para o Brasil, como quando Londres sofreu os ataques terroristas de 7 de julho -
foi não ter a família por perto. Chorava cada vez que via seus pais, irmãos e sobrinhos pela
webcam, na internet. Mas mesmo assim, acredita que valeu demais a temporada no Exterior.Em Londres, conheceu muitos brasileiros dos mais diversos estados, e sempreexplicando que nasceu em uma cidade chamada “Rainha da Fronteira”. “Bagé está super
conhecida entre a comunidade brasileira na Inglaterra!” observou alegremente. A rotina de
trabalho em jornal, em que seguidamente está de plantão em finais de semana e feriados, faz
que Rosele tenha menos tempo do que gostaria para ir a Bagé. Em agosto de 2004, esteve na
cidade para a festa de 80 anos de seu avô e ficou muito feliz, “a cidade estava limpa, bonita,
desenvolvida” conclui a jornalista.
Ela retorna para Porto Alegre no final de janeiro de 2006, quando acaba sua licença.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

 

Professor Benjamin e Susana

Cinquenta anos de cumplicidade
Hoje 16 de dezembro, o casal Carlos Benjamim e Suzana da Silva, estão em festa, completam 50 anos de casado, em Porto Alegre, onde residem a um ano. Mas foi em Bagé, durante uma apresentação de teatro dos alunos do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, naquela época exclusivamente masculino, que tudo começou. Ele era um dos talentosos atores, aluno da escola, que no palco a emocionou . Ela, aluna do Colégio das Irmãs, fazia parte do púbico, situação excepcional, quando as meninas do Espírito Santo entravam no Colégio dos Padres. Isto aconteceu em meados de 1947, e em 1948, o namoro foi oficializado.O casamento aconteceu em 16 de dezembro de 1955, e teve como fruto, cinco filhos: Carlos, Cacá, Suzaninha, Titina e a caçula Maria Laura.No ano das Bodas de Ouro, fizeram mais do que renovar os votos., aos 74 e 71 anos, decidiram que queriam voltar a ter a casa cheia, como acontecia quando os filhos eram jovens e moravam em Bagé.Depois de 50 anos de cumplicidade e muita coragem, decidiram pela mudança, foram para Porto Alegre onde vivem em um apartamento ensolarado, gostoso, no coração do Bom Fim. Os filhos e netos, estão sempre em movimentação pelo apartamento do casal, " voltaram a produzir a música da vida ", ao contrário do silêncio que ficara em casa, na rua Rodrigues Lima, com a chegada da aposentadoria, depois de tantos anos como professor na Universidade da Região da Campamha – Urcamp e com a saudade dos filhos que seguiram seus destinos longe de Bagé.Hoje comemoram ... as esperadas “Bodas de Ouro”! Mais do que isso, a coragem de recomeçar, de acreditar que tanto tempo juntos, valeu a pena. E com amor, amizade e a alegria de viver, enfrentam mais este desafio, hoje coroando os 50 anos de união.

 

Daniel Mendonça



DANIEL PIMENTEL MENDONÇA O ENGENHEIRO E SUAS CONQUISTAS Ele Viveu durante 16 anos na rua Adail Mércio Bittencurt, no Bairro Mascarenhas de Moraes, com os pais Cleusa e Jairo Mendonça, os irmãos Rodrigo e Alex, e com a avó materna, a vó Maria. Estudou no colégio Carlos Kluve, terminou cedo os estudos, e aos 17 anos, foi morar sozinho na cidade do Cassino onde prestou o vestibular para Engenharia Química na Fundação Universidade Federal de Rio Grande - FURG. Foi aprovado, e desde então começou sua jornada, “muitos foram os aprendizados”, ele enfatiza. Começando por ter que cuidar da casa, dele mesmo e ainda estudar. No último ano da Faculdade, foi fazer o seu estágio de conclusão de curso na fábrica do grupo Cimpor, localizada em Candiota, onde teve a oportunidade de voltar a viver em Bagé, com seus pais. Em Março de 2000, aos 22 anos, comemorava a conquista de estar com seu diploma na mão e também a contratação pela fábrica que tinha prestado estágio, só que então iria para longe, Cajati - São Paulo. Daniel relembra que não ficou um dia desempregado. Durante 5 anos trabalhando nas mais diversas áreas da empresa, passou pela área de processos, controle de qualidade, fabricação de argamassa e por último na área de produção. No final de 2004, veio o convite para um novo desafio, ele arruma as malas rumo à Europa, agora irá trabalhar na área de engenharia de processos e ambiente, na nova empresa do grupo, a CimpoTec, em Portugal na cidade de Lisboa. Hoje ele é responsável por realizar estudos de performance e otimização nas unidades do grupo pelo mundo, como por exemplo na Espanha, Marrocos, Brasil e Portugal, e de seis em seis meses retorna ao Brasil, para visitar a família. “Estar fora do Brasil nos traz oportunidades de conhecimento muito grande, conhecer novos lugares, novos povos e culturas enriquece o ser humano, mas acima de tudo nos dá a certeza que nós Brasileiros não devemos nada a ninguém, somos uma nação em pleno desenvolvimento e com possibilidades de nos tornarmos ainda maiores”, explica. Para ele, a alegria do povo Brasileiro, a capacidade de tirar o melhor das piores situações, não existe em outros povos, pelo menos não com a mesma intensidade. Em janeiro nas férias, virá a Bagé matar as saudades logo após percorrer vários países da América do Sul, com três amigos, colegas de faculdade e também Bageenses. Mendonça se considera uma pessoa feliz e realizado profissionalmente. Hoje aos 27 anos, ainda tem muitos sonhos a realizar inclusive viajar pelo mundo conhecendo novas culturas e constituir sua família. Legenda: “Me tornei a pessoa que sou hoje graças as pessoas que passaram em minha vida, principalmente aos meus pais, que me proporcionaram amor e educação, o que uma criança precisa para se tornar de verdade um ser humano digno”.

sábado, outubro 15, 2005

 

Entrevista Larissa Leonardi Lara



Nome: Larissa Leonardi LaraData de nascimento: 16/10/1980Onde você mora?Estou morando em CriciúmaS/C, vim para cá um mês após a minha formatura em Jornalismo(em São Leopoldo, na Unisinos), junto com o meu noivo Carlos. Tentar a vida!O Mercado de trabalho em Bagé? Infelizmente, Bagé é uma cidade que oferece poucas oportunidades de emprego. Mesmo quem tem curso superior e uma profissão não é valorizado financeiramente, como merece. Sempre disse que gostaria de seguir minha carreira profissional em outro lugar, por Bagé não oferecer boas condições de emprego.Como foi a adaptação? Durante o tempo que vivi em Porto Alegre, tudo correu naturalmente. Claro que no começo senti muita falta de casa, da comida da mamãe, tudo prontinho. Quando a gente sai de casa é que dá valor para as coisas simples que a gente tinha antes, como uma roupinha lavada e passada, sem precisar tocar a mão em nada. Quando vim morar em Criciúma a coisa foi bem diferente. Fiquei desempregada 4 meses, depois que cheguei aqui não me adaptava a cidade, muito menos as pessoas. Achava todo mundo ignorante e muito pouco receptivo. Apesar de ser tão perto do nosso estado (Criciúma fica a 290 km de POA e a 90 km de Torres) tudo é muito diferente. Na verdade, o melhor lugar do mundo é aquele onde a gente nasceu. Claro que agora esta impressão já passou, fizemos boas amizades aqui.Clima e costumes: O clima é o seguinte: no verão faz um calor insuportável e no inverno é bem friozinho, mas claro, nem se compara ao frio que temos em Bagé. Existem diferenças de costumes, da comida, do palavriado. Aqui por exemplo ninguém sabe o que é um estojo, todos chama de penal. Vale transporte o povo chama de mensal. Da mesma forma que eles não sabem o que é negrinho, guisado, e dão risada quando a gente fala cacetinho.Criciúma ... é uma cidade um pouco maior que Bagé (180 mil habitantes), porém muito rica, desenvolvida, não existe tanto desemprego, as oportunidades são maiores e melhores. O custo de vida também é bem acessível. Mesmo tendo ficado 4 meses desempregada logo que cheguei, nunca mais me faltou emprego e já cheguei a trabalhar em 3 locais ao mesmo tempo. Hoje sou assessora de imprensa em uma escola que tem o ensino fundamental e médio, cursos técnicos (13 cursos) e faculdade (07 cursos de graduação) . O Lazer? Apesar de muitas vantagens, Criciúma é meio fraca no quesito lazer. A coisa boa é que é muito próxima do Litoral. Mas não tem muitas festas, praças, essas coisas assim. O pessoal viaja muito pra se divertir, vai pra Serra, Florianópolis, outras praias maravilhosas que existem por aqui. Mas isto não é pra todo mundo não, é só para quem "pode".Pretendes voltar? Com certeza um dia quero voltar, gostaria que fosse ainda bem jovem, mas acredito que ficará para depois da aposentadoria.Saudades? Da minha mãe e irmã que ficaram em Bagé. Da "Sete de Setembro" por exemplo, onde todo mundo se encontra, se reúne, se diverte, de graça. Aqui tu tem que ir para um shopping ou um barzinho, o que significa que terás que desembolsar alguma graninha, porque dificilmente alguém senta num bar e não pede nada. Também não tem um bar que dê pra dançar, com música ao vivo, com pagode, MPB, como tinha o Point (eu sou da época do Point) ou do Monopólio, que tinha no Comercial. É bem raro este tipo de som por aqui. Os criciumenses AMAM Vanerão, hip hop e técno, e como não gosto de nenhum destes 3 ritmos, fico meio sem opção.
Na minha opinião, tirando há questão do desemprego, acho que Bagé é uma cidade ótima para se viver, conclui Larissa.

sábado, outubro 08, 2005

 

Entrevista com Fábio Machado Pinto - mais tarde coloco a foto


Nasci... na primavera de 1971. Época difícil para o país, pois estávamos em meio à ditadura militar. Meus avós, meus exemplos em todos os sentidos, Noé e Dalila Machado, retornavam para Bagé depois de tempos difíceis em POA.
Minha infância... foi normal, fui educado numa grande família, num clima de muito carinho e descontração. Morávamos no final da Barão do Amazonas. Lá, nada nos faltava. Criei-me jogando futebol e vendo meus tios jogar na Panela do Candal, nos campos do Militão, mas também no Guarani e no Bagé. Ai começou meu projeto e desejo de ser jogador. O futebol era o que movia a família. Sempre que o Bagé jogava, lá estava eu e meu avô. Lembro-me dos meus primeiros dribles no chão de pedra da ruazinha de frente de casa, mas também da primeira paquera na esquina. No final de cada ano ía para casa do meu tio Baba(João Gaspa) em POA, mas também para o litoral com minha mãe (Glaci Tasso Machado).
O colégio e o futebol... Matricularam-me no XV de novembro em 1977, e com a entrada na escola, também veio a mudança de casa. Meu avô conseguiu uma casa maior, agora na Caetano Gonçalves, 807. Próximo da SMAS, do Paredão, e do bar do Saliba. Aqui, meu social ampliou, ganhei novos amigos. De todos, Fausto era o mais próximo. Jogávamos em qualquer lugar, o campo podia ser qualquer coisa e tudo que rolava podia ser bola. Respirávamos o futebol.
Adolescência... Já era adolescente quando me matricularam no Auxiliadora. O país respirava a abertura democrática, mas eu ainda era alheio a tudo isso. Nesta época, comecei a jogar basquete na FUNBA com uma turma bastante legal. Gostei da experiência que rendeu algumas viagens pelo RS e nenhum troféu.
Saí de Bagé... aos 16 anos. Perdi meus avós e decidi ir para POA morar com meus tios (Antonio e Marta).
Sonho ... Entrei no Dom Bosco, e continuei minha peregrinação esportiva, jogando basquete no Lindóia, Futebol no Dom Bosco e Punhobol na Sogipa. Com tanto esporte minhas notas eram sempre médias. Por um momento, o sonho de ser jogador passou perto. Em POA, pude treinar no Inter com o seu Abílio dos Reis. Fui selecionado num daqueles peneirões de final de semana e continuei alguns meses. Com as notas baixas acabei parando os treinos. Acho que foi o momento que mais perto cheguei do meu sonho. No final do ano, passei no vestibular em Educação Física e ingressei no CPOR/Poa, na infantaria. Em 1991, mudei para Florianópolis onde ensaiei treinar no Avaí com os juniores e no figueirense já profissional, mas me dei conta que estava velho demais e talvez nunca tenha realmente tido futebol para ser jogador...
As causas sociais ... Cursando Educação Física na UFSC acabei conhecendo muita gente interessante. O gosto pela leitura e comprometimento com as causas sociais me puxavam cada vez mais. Logo consegui lecionar Educação Física numa escola do morro da caixa. Foi lá que aprendi o valor da educação e de quanto estamos longe do necessário. Logo fui convidado para um projeto chamado “oficinas do saber”. Já estava envolvido com a capoeira e resolvi desenvolver um trabalho social. Por dois anos entramos em contato com turmas de quatro comunidades empobrecidas de Floripa. Os resultados deste trabalho estão reunidos no Livro Pequenos Trabalhadores, que escrevi em 1994, na conclusão do curso de graduação em Educação Física.
Europa ... Em 1995, parti para Portugal a convite de colegas que me indicaram para o mestrado em Sociologia na Universidade Técnica de Lisboa. Os estudos na UTL continuaram centrado na infância, agora numa perspectiva comparada. Voltando a Floripa, meu caminho para docência universitária já estava meio que traçado. Logo fui professor substituto e um concurso em 1998 selou meu destino. Acabei entrando no centro de educação, mas trabalhando diretamente na formação de professores de Educação Física. Depois de sete anos de trabalho ganhei uma licença formação e aqui estou realizando mais um sonho, conhecer o trabalho acadêmico dos grupos de pesquisa em educação da França. Desde outubro de 2004 tenho trabalhado com o grupo ESCOL liderado por Jean-Yves Rochex e Elisabeth Bautier.
Diferenças e semelhanças... Paris é muito diferente da minha pequena cidade, Bagé. Aqui as ruas são muito sujas, alias tudo é mais sujo do que estamos acostumados. O cheiro do queijo e do vinho parece impregnado nas pessoas, diferente do cheiro do campo típico de Bagé. O pão é vendido com a mesma mão que se faz o troco. Maso caráter do francês, franco e sincero, parece muito com o do gaúcho. A diferença está na alegria, nisso o povo brasileiro é insuperável. Dizem que o mal humor francês tem a ver com o frio, mas se eles forem em Bagé no inverno verão que as pessoas sorriem mesmo em temperaturas abaixo de zero. Paris guarda muitos encantos, cinemas de todos os tamanhos e por todos os lados. O charme das mulheres chega a ser exagerado, mas a beleza não tem igual a das meninas da "Rainha da Fronteira". O futebol em paris é abundante, parques e estádios com gramados impecáveis, mas lhes faltam os atalhos, os dribles e os toques desconcertantes. Não, que não tenham técnica, eles são muito bons, mas no finalzinho falta a mandinga, a malícia, o uso e abuso da bola.
Brasil na França... Chegamos num momento especial para os brasileiros em Paris. É ano do Brasil na França. O auriverde está na moda e as grandes lojas vêm organizando promoções especiais "Made in Brazil", evocando o carnaval, as mulatas, o futebol, a ginga e o samba. Esta imagem do Brasil vem sendo construída de longo tempo. Aqui, quando você responde "sou brasileiro", eles citam imediatamente: "Ronaldinho, les jolies femmes, Carnaval..." Esta imagem do Brasil é alimentada pela propaganda que se faz do Brasil no exterior, rotulando a nação com aquilo que ela tem de mais ambíguo. O brasileiro no exterior é um fenômeno! Normalmente, barulhento e cheio de si, ao chegar no estrangeiro não pode ver uma bandeira, uma camiseta de um time brasileiro, um espetáculo ou atividade do Brasil que se transforma num folião extravagante.
Mas é verdade que a cultura brasileira e de qualidade tem uma boa acolhida por aqui. A MPB é desde muito reconhecida pelos artistas franceses. Em 13 julho, deste ano, assistimos a um espetáculo inesquecível na La Bastille. (Símbolo nacional de luta, marco da revolução francesa) em homenagem ao Ano do Brasil. Estavam lá alguns dos principais da MPB (Lenine, Gal Costa, Seu Jorge, Jorge Benjor, Daniela Mercurie e Ilê aê, Gilberto Gil e Henri Salvador) junto com presidente Lula. A emoção tomou conta da praça e o sentimento de brasilidade foi mais forte. Lula e Gil se emocionaram... No Espaço Brasil, no Carreau du Temple, assistimos gratuitamente o que tem de melhor na música brasileira atual. Adriana Calcanhoto, Elba Ramalho, Cidade Negra, Elza Soares, Musica preta Brasileira com Sandra de Sá, Tony Garrido e Zé Ricardo, Alceu Valença e Geraldo Azevedo. Mas nada comparado a homenagem feita a Tom Jobim pelo Quarteto de tirar o fôlego: Yamandú Costa, Robertinho Silva, Paulo Moura e Armandinho Costa. Uma idéia fabulosa, num espaço totalmente dedicado à cultura: concertos, dança, teatro, exposições e audiovisual. Tudo para mostrar o que tem de melhor no Brasil. Quem pode vir nunca mais esquecerá! Mesmo da cerveja nos bares árabes ou no "Favela Chic" e o bate papo com os artistas sobre a música, cultura, política, num clima de muita descontração.
O doutorado na Université Paris ... está me proporcionando uma formação singular. Fui muito bem acolhido pelo grupo de pesquisa ESCOL e estou desenvolvendo um trabalho sobre a relação com os saberes corporais e a constituição do sujeito. Isso tem me colocado em contato com os problemas escolares e formação dos professores. Paris mantém ainda o espírito "Vincenne", uma universidade onde as questões sociais são prioritárias e a inclusão é uma política. Mas a vida cultural em Paris tem nos proporcionado um segundo doutorado.
A companheira Besoura ... (Lana Pereira), uma goiana de tirar o fôlego, tem me acompanhado fortemente nesta vida intensa. É ela com quem desabafo e quem agüenta os meus momentos de stress. Nos conhecemos num congresso em julho de 2002, desde lá nunca mais nos separamos. Agora, nosso amor em construção, começa amadurecer.
Nosso sonho ... é voltar para Floripa e construir uma cabana de sapé, onde poderemos estudar, escutar musica, ver filmes, receber os parentes e amigos, nossas atividades preferidas.
Bagé ... continua comigo em todos momentos. Mas, como já disse um velho amigo e meu horizonte de racionalidade: "Não importa o que fazem do homem e sim aquilo que ele faz do que fizeram dele." (SARTRE)

sábado, outubro 01, 2005

 

Entrevista com Beatriz Azambuja Saraiva Vieira



Nome: Beatriz Azambuja Saraiva Vieira
Data de nascimento:23/12/1971
Quando aconteceu sua saída? Pela primeira vez em 1991 para estudar Hotelaria em Canela, depois surgiu a possibilidade de ir Para Porto de Galinhas, onde trabalhei no Hotel Village Porto de Galinhas, retornei para Bagé onde fiquei até 2004, trabalhando como gerente no Bagé City Hotel.
Morava em Bagé ... com meus pais na rua General Netto
Já morei em várias cidade como: Canela , Porto de Galinhas e Livramento
E agora? Estou na cidade histórica de Paraty
Sua Profissão? Hoteleira
Por que escolheste Paraty? Quando sai do Bagé City Hotel, pensei logo em Paraty porque sabia que a cidade histórica tinha mais ou menos 300 meios de hospedagem, puxa, ali era o lugar ideal para tentar a vida. Alugamos uma casa por uma ano, deixei meu currículo, logo em seguida recebi a proposta para trabalhar como recepcionista na Pousada Serra da Bocaina, hoje estou gerenciando a mesma pousada. Deixo o convite à todos, venham me visitar, conhecer Paraty.
E a família? Sou casada com o Argentino Pedro Artuno, que conheci quando morei em Porto de Galinhas, estamos juntos a 9 anos e ainda não temos filhos, estamos pensando, quem sabe para o ano que vem ... ele é orives, faz jóias, e trabalha com pedras decorativas e preciosas.
Como foi a adaptação? Muito boa, Paraty é uma cidade encatadora.
Em relação ao clima e aos costumes existem muitas diferenças em relação a Bagé? A diferença é que aqui chove muito principalmente no verão, quando estamos com a pousada cheia.Paraty: Possui a mistura da serra com o mar, é fantástico! A Baia de Paraty é deslumbrante, ainda também têm as belas cachoeiras. Aqui existe uma beleza natural, que é show!!!
Bagé: Adoro está cidade! Nela deixei minha família que amo muito, meus amigos. Sinto saudades de ir para a Estância, ver o horizonte tomando um gostoso chimarrão.
Quais as chances do Turísmo em Bagé “engrenar”? Bagé é uma cidade que não acredita no potencial que têm. É uma cidade que tem tudo, tem história rica a ser explorada, tem cultura, costumes maravilhosos, uma gastronomia que agrada a qualquer visitante, mas as pessoas não se empenham em divulgar. Para Bia falta ainda muita coisa. “-Quando a gente sai da estrada de Porto Alegre, não se tem nenhuma placa que pelo menos indique Bagé”, lamenta. Para ela o turismo é uma realidade e Bagé tem potencial, falta apenas um pouco mais de entusiasmo de seu moradores e insentivo das autoridades competentes.

sábado, setembro 24, 2005

 

Entrevista com Cristiane de Oliveira Freitas


Data de nascimento: 16/04/74
Onde? Bagé (RS)
Até quando morou em Bagé? Eu residi na terrinha até janeiro de 2004, quando surgiu a oportunidade de trabalho fora do Estado.
E agora mora aonde? Moro em Criciúma, Santa Catarina.
Sua Profissão ... Minha profissão é tudo de bom na minha vida! Na verdade, sou uma apaixonada pelo que faço. No dia-a-dia vivenciamos alegrias, tristezas e até grandes tragédias, algumas vezes nos tornamos pessoas frias, com um único objetivo traçado que é o de fazer a lição de casa para relatar os fatos. É preciso sempre buscar sempre o novo, o inesperado. Acomodado, é palavra que não combina com a profissão. E uma coisa que penso que ser fundamental é não ter medo do desconhecido. Vida própria, muitas vezes, se deixa de lado, mas o gratificante é a responsabilidade de ser um formado de opinião.
Como surgiu a oportunidade de sair de Bagé? Uma amiga e ex-colega de curso da Urcamp, Larissa Lara, que já morava em Criciúma há um ano comentou sobre uma vaga em um jornal local e pediu que eu mandasse o currículo. Eu tinha menos de um mês de formada, passei por uma seleção, é o mais engraçado que fui contratada para trabalhar em uma editoria esportiva. Eu acompanhava futebol, mas entender o que se passa pela quatro linhas era tudo muito remoto. Daí foi tocar a bola pra frente, conheci colegas de rádios maravilhosos que me apoiaram e me deram suporte. Hoje o profissional de comunicação tem que ser multimídia e estar sempre bem informado e procurar se especializar cada vez mais.
E a família? É quem me dá base e incentivo para alcançar meus objetivos. Toda minha família é muito importante para mim, sempre fomos companheiros. E minha mãe é um exemplo disso, pela garra e determinação.
Como foi a adaptação? Os primeiros meses foram bem difíceis em função da distância. Para que o tempo passasse me concentrei no trabalho, ainda mais que necessitava de uma adaptação rápida devido ao jornal. Sentia-me uma forasteira, mais precisei correr contra o tempo para conquistar minhas fontes. Lembrava sempre de um dos meus grandes amigos, o Glauber Pereira, editor do Minuano, quando ele falava em aula que não poderíamos ter vergonha de perguntar, eu ficava incomodando os colegas de outros veículos para identificar as pessoas. Hoje tenho a sensação de que moro aqui há muito mais tempo, porque fui muito bem acolhida pelos catarinenses.
Em relação ao clima e aos costumes existem muitas diferenças em relação à Bagé? O clima por aqui é bem agradável, nem perto do frio que faz em Bagé, a temperatura mais baixa chegou a 6º graus. Os costumes também se diferem do Rio Grande do Sul, como exemplo, a culinária é típica da colonização italiana principalmente, na região Sul do Estado. Outro fator é que estamos em um Estado repleto de praias, as pessoas cuidam muito do visual, tanto homens, conhecidos como Metrosexuais quantos as mulheres, eles estão sempre vestidos para festa. Não que os gaúchos não cuidem da aparência, mas se sente a diferença. Além do estilo de cidade grande que Criciúma tem, tipo aqui as pessoas saem cedo para a balada, se encontram em barzinho, o que não é costume em Bagé.
Se pudesse escolher entre Bagé e a cidade que moras hoje escolherias... Hoje minha vida é aqui. Amo a cidade onde nasci e me orgulho de ser gaúcha e bajeense. Deixei grandes amigos, mas infelizmente, na minha profissão não me oferece oportunidades. Criciúma e região são repletas de empresas, indústrias, o que abre um leque de caminhos para assessoria de imprensa, que é uma das coisas que gosto de fazer. Outra vantagem é o custo de vida, barato, no momento, é aqui que pretendo construindo um futuro e crescer profissionalmente.
Fora o teu lado profissional o que mais gostas na cidade onde moras? São tantas coisas: de poder estar próxima ao mar, o que me traz tranqüilidade, dos amigos, resumindo minha vida tomou outro rumo desde que vim pra cá.
Imaginava sair de Bagé, ou aconteceu por acaso? Quando iniciei o curso de Jornalismo tinha a consciência de que o meu futuro seria fora de Bagé. Nos últimos meses comentei até com alguns colegas que gostaria de morar em Santa Catarina. Reconheço que fiquei surpresa, tudo aconteceu muito rápido, minha vida deu uma guinada de 360 graus. Mas não me arrependo, me considero uma pessoa de sorte, principalmente por que o mercado de trabalho está saturado de bons profissionais e tem muita gente procurando emprego.
Pretendes ficar ou voltar para o Sul? Não gosto de fazer planos. Deixo que as coisas aconteçam, claro que vou buscar sempre o que for melhor profissionalmente. Se pintar uma grande oportunidade, abraço e vejo como mais uma etapa a ser vencida. Quem sabe o mestrado seja no Sul, mas isso independe que eu permaneça por aqui.
Sentes saudades da “terrinha”? Do que, por exemplo? O que fazias lá que não podes fazer aí? Da reunião com os amigos, na vida temos vários tipos, os da infância, os quando adolescentes e os que deixam uma grande saudade, os que lutam no dia-a-dia por um denominador comum, a profissão. Os colegas de faculdade são eternos, como dizia o Orlando Brasil, éramos dezessete mulheres cada uma com seu jeito, umas intempestivas, outras mais doces, mas todas com um objetivo ser profissional. Foram noites e noites, inesquecíveis, eu, a Rochele e a Jose, as inseparáveis, também a Marina, a Mirela, e todas as outras que tenho um grande carinho. Hoje, nossos destinos estão traçados em novos caminhos, para que no amanhã contarmos para nossos filhos a nossa história.

sábado, setembro 17, 2005

 

Entrevista com Faiane de Souza Melo



Nome: Fabiane de Souza MeloData de nascimento: Julho 17, 1972
Bagé? Morei até os 15 anos com meus pais, na Av. Tupy Silveira, perto dos apartamentos do Bela Itália, estudei no Auxiliadora.
Onde você mora atualmente?Em Carbondale, Illinois nos EUA, cidade universitária, pequena, tudo é perto e barato, todos os finais de semana vou para Saint Louis visitar a minha irmã e os meus sobrinhos.
Como foi a adaptação? Difícil. Como resolvi ficar nos EUA, morando com minha irmã naquele ano, tive que me matricular na escola, com alunos americanos. Fui obrigada a aprender em 6 meses o inglês, enquanto isso passei por várias situações de constrangimento, como ler em voz alta na sala de aula e ter os colegas rindo de mim! Hoje estou completamente adaptada e nem penso em retornar para o Brasil. Sou uma pessoa que adora viajar, conhecer novos lugares, mas no Brasil isso é muito difícil, é muito mais caro.
Sua Profissão ... Professora. Na Tailândia eu era professora do primário e quinta série, aqui nos EUA dou aulas para estudantes universitários, ensino eles a dar aulas. Fiz um mestrado em Linguística aplicada e agora estou fazendo em Tecnologia da Instrução.
Como surgiu a oportunidade de sair de Bagé? Como minha irmã já estava morando nos EUA, meus pais acharam que seria interessante eu passar um mês por lá, para aprender a língua inglesa, só que passei um ano e um mês, apaixonei-me pela língua e decidi ser professora.
As diferenças: Por aqui tudo é muito diferente. Muito seguro, ... muito organizado. Tudo funciona sem problemas. As vezes assisto a novela América eles colocam tudo como um extremo, nunca sofri discriminação, sou legal no país. Aqui ser ilegal é um crime muito sério.
Tailândia? Morei durante nove meses em Phuket, foi uma experiência inesquecível, quero muito voltar lá para passar férias! Não foi fácil estar em um lugar onde não se fala a língua, as pessoas tem que ser muito pacientes com a gente. O Tailandes é extremamente difícil de se aprender. A paisagem em Koh Phi Phi é linda, uma das ilhas mais famosas na Tailândia, que infelizmente foi devastada no tsunami. Lá se come uma fruta que se chama Chompoo e é típica da Tailândia. A escola em que dava aulas se chama Kajonkietsuksa. Na Tailândia existe uma feira onde se encontra de tudo, comida, roupas, sapatos,eletrônicos, carne e variedades. Lá o povo tem costumes estranhos para se alimentar como comer baratas e vermes, um nojo! - reclama Fabi.
Quais são os outros lugares que já conheceu? Coréia do Sul, Japão e Malásia.
Minha vida ... está aqui nos EUA. Meus irmãos estão aqui. Meus pais sempre vêem nos visitar nos finais de ano. Apesar de amar meus amigos que deixei em Bagé, minha família e sentir saudades do tradicional churrasco, sei que não volto mais para o Brasil.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?