sábado, setembro 03, 2005

 

Entrevista com Daniela Soares da Rosa



Nome: Daniela Soares da Rosa - Educadora Popular
Idade: 34 anos
Moro: Na Zona Sul de Porto Alegre, um lugar onde a natureza é exuberante. O Lago Guaíba é o cenário de fundo e os morros verdejantes delimitam o horizonte azul.
Política: Sou de esquerda
Torcedora: do Guarany de Bagé, do Sport Club Internacional, Imperadores do Samba, enfim sou alvi-rubro até morrer.
Nasci: No inverno de 1971, nos campos bucólicos e pampeanos de Bagé - a gloriosa Rainha da Fronteira. Na fazenda “Cinco Cruzes” vivíamos em uma pequena comunidade de famílias co-irmãs, onde o trabalho e as lidas de campo eram determinadas pelo ritmo da natureza. Éramos protegidos por uma inocência interiorana e não tínhamos noção do privilégio de viver num lugar tão lindo, em contato com animais, natureza e pessoas com apego a valores hoje tão raros.
Família: Meus pais, Silvio e Maria Adelsia, as pessoas mais íntegras, tolerantes e adoráveis que conheço no mundo, mudaram-se para a Av. Emílio Guilain em 1977. No mesmo ano nasceu meu grande amigo, e único irmão, Cleiton. Me deparei com um novo mundo a ser descoberto: novos códigos de relacionamento, novos amigos, uma casa nova, o agito da vida urbana. Fui matriculada no colégio“15 de novembro”, onde estudei do pré até concluir o curso de magistério, em 1989. Bons anos de muitos aprendizados, muitas bagunças, primeiro namorado, festas no Clube Recreativo, e amigos que ficaram pra sempre em minha vida.
O que te levou a sair de Bagé? Impulsionada por meus ideais, aos 19 anos, sai de Bagé e fui atuar em um movimento social, em São Paulo. Para minha família e, alguns amigos, foi um ato que causou choque e certa incompreensão. Ser solidário com um conhecido é fácil. Mas em nosso mundo tornou-se ilógico ser solidário com o desconhecido, principalmente se não está ao alcance dos olhos, se está distante. Porém, passados alguns meses, e muitas cartas trocadas depois, minha família tornou-se uma aliada e incentivadora de meus sonhos e ideais até hoje.
Como reagiste a nova experiência? Os anos que vivi em São Paulo foram muitos significativos, descobri muito sobre mim e sobre o mundo, para além de “Bagé City”. Vivenciando e partilhando experiências com pessoas de vários lugares, do país e do exterior, percebi que a solidariedade é, sem dúvida, o valor antropológico que nos faz SER humanos.
Mas nem tudo é tão belo e fácil, pois as diferenças culturais, o ritmo acelerado da metrópole, a aridez da realidade, são elementos desgastantes. Durante este tempo sentia saudade de ouvir o despertar do Pe. Fredolin, na rádio Difusora, com seu jeito peculiar.
A Volta ao SUL ... Três anos depois construí as condições para voltar para o sul, e fui atuar em um projeto em Chapecó/SC. O oeste catarinense é povoado por muitos gaúchos, é muito semelhante ao norte do Rio Grande do Sul, principalmente na gastronomia. Porém, bem diferente dos costumes e modo de vida dos fronteiriços. Resultado: um ano depois voltei para o Rio Grande do Sul e, por muito tempo, não comi polenta e radite.
Estudos? Cheguei em Porto Alegre, com um objetivo central: voltar a faculdade. Fiz vestibular para Ciências Sociais, na UNISINOS e voltei ao mundo acadêmico. Compreendi que é preciso a luz teoria para compreender e qualificar a nossa prática. Durante meu tempo de faculdade atuei na assessoria junto a organizações não-governamentais, movimentos sociais, prefeituras, centros de educação popular, projetos na área de educação e sindicatos. Viajei muito, dentro e fora do país, conheci pessoas e lugares que me marcaram, e com certeza ficaram marcados por mim, de alguma forma.
Casamento ... Fui me aquerenciando em Porto Alegre também por culpa de um “portoalegrense da gema”, tímido, reservado e apaixonado por sua terra. Um guri que acredita que o pôr-do-sol do Guaíba é o mais lindo do mundo e, que o Rio Grande do Sul é o centro do universo. Foi com o Eduardo que, finalmente, aos 30 anos, eu disse “sim”, numa capelinha no interior de Bagé, em 2002. Decidimos casar perto da casa do Vô Florisman, perto da “fazenda”, pois adoro aquele lugar. O Pe. Alex Klopemburg, meu amigo dos anos de militância na Pastoral da Juventude, e principal incentivador do casamento, realizou a cerimônia.
A vida de casada e os animais de estimação: Nossa vida é muito agitada, divertida e feliz. Intercalamos nosso tempo entre nossas agendas de trabalho, as obras da casa nova e nossos animais, que são nossa alegria e companhia. Nossas quatro chinchilas de estimação são adoráveis, cada uma com sua personalidade própria. Ao contrário do que pensa a maioria das pessoas as chinchilas não existem só para tirar a pele e fazer casacos, aliás sou contra isto, elas são excelentes companheiras de estimação.
Filhos? Todos que me conhecem sabem, nunca quis ter filhos. Pois bem, mudei de idéia. Estamos tentando adotar uma criança e espero que até o ano que vem minha família tenha mais um integrante, que será muito bem vindo, educado e acima de tudo muuuuito amado.
Voltar para Bagé: Por fim um desejo: quando minha hora chegar quero ser cremada e minhas cinzas jogadas nos campos de Bagé. Na “cabanha” junto ao piquete que meu avô foi patrão de honra. Mesmo cidadã do mundo é lá que está minha essência e minha raiz, nos campos da “Cinco Cruzes”.
Eu Por Mim Mesma ... E para quem não gosta de falar de si foi o suficiente. Hoje aos 34 anos ainda me sinto uma andarilha, uma sonhadora que adora viver feliz e ver a felicidade no olho do outro, seja quem for e onde for. Vivo tudo o que penso, que creio e que idealizo. Não costumo esperar pela vida, vou atrás dela...

Comments:
Legal
 
Oi miga!

Que legal teu blog ficou muito legal!

Agora todos poderão admirar teu trabalho, saber o que é o dia-a-dia de uma jornalista eficiente.

Sobre a matéria sou completamente suspeita para comentar. Mas valeu um monte.

Só o fato da gente se reencontrar depois de tantos anos já valeu qualquer coisa.

Bjocas no coração

Dani
 
Jurandréia,

Achei muito legal a matéria, entrevistadora e entrevistada conseguiram transmitir a essência de bageenses que saem dos pagos e acabam por dar-se conta da falta que faz pisar na terra que se nasceu.
A foto da Dani, ficou ótima.

Beijos

Ale
 
Olá...quero parabenizá-las pela matéria...mto legal...entrevistadora, passou a essencia da entrevistada...Dani miga, vc ficou show, na foto, e na matéria...super bjos!
 
Gostei muito da entrevista com a Daniela Soares da Rosa! Acho que dá para defini-la com um clichê, mas que se aplica bem ao caso: Daniela é gente que faz! Abraço.
 
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